Vidas opostas que se encontram por acaso e juntas discutem o amor, a vida e as forças que unem e afastam as pessoas. É a trama que conduz o espetáculo “Um dia muito especial”, neste dia 21 de maio (quinta-feira), às 20h, no Teatro Riachuelo. A peça traz Reynaldo Gianecchini e Maria Casadevall em uma adaptação do filme de mesmo nome exibido em 1977 e dirigido por Ettore Scola, com Sophia Loren e Marcello Mastroianni no elenco. No teatro, a peça tem direção e adaptação de Alexandre Reinecke e tradução de Célia Tolentino.
A ação se passa em Roma, no ano de 1938. Enquanto Benito Mussolini e Adolf Hitler firmam sua aliança política — em uma parada militar com massiva presença da população — Antonietta, dona de casa e mãe de seis filhos, é impedida de ir para ficar em casa cuidando dos afazeres domésticos. Em meio ao caos, seu pássaro de estimação voa até a janela do vizinho Gabriele.
Gabrielle foi demitido da rádio por ser homossexual, e na iminência de ser preso, não iria de jeito algum a um desfile militar com temática nazifascista. Entre conversas sobre sonhos, frustrações e desejos, nasce uma amizade extraordinária e um amor platônico que, naquele dia, mudará as vidas de Antonietta e Gabrielle para sempre.
A peça aborda temas como aceitação, amor, transformação, preconceitos e o papel da mulher na sociedade, convidando o público a refletir sobre o que conecta e o que afasta as pessoas em um cenário de diferenças e limitações pessoais. Esta é a segunda montagem brasileira do texto, que em 1986 teve José Possi Neto dirigindo Tarcísio Meira e Glória Menezes para contar a história de uma amizade inesperada entre dois vizinhos.
Conexão humana
Reinaldo Gianecchini já declarou que, para ele, o mais comovente na peça é a relação entre um homem e uma mulher que são completamente opostos no contexto sociopolítico da trama. A tendência é um não ouvir o outro, um julgar o outro, mas eles não fazem isso, preferem se acolher e se ouvir para além dos preconceitos e estereótipos. Eles se conectam pela humanidade e pelas dores um do outro.
Para Maria Casadevall, a paixão circunstancial que a sua reprimida Antonietta desenvolve naquele momento por seu vizinho, faz parte de um processo de transformação que muitas mulheres reprimidas sexualmente e psicologicamente podem se dar ao direito de viver. O momento de libertação vem a partir daquele encontro inesperado. Um momento que vale para a vida inteira.
FONTE: Portal Tribuna do Norte